Oferta de Trabalho

Oferta de Trabalho
Enviado em 29/11/2007.

O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o estudo Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil em 2007, recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, revela a existência de descompasso entre as ofertas de trabalho e de mão-de-obra, na atual fase de expansão da economia brasileira.
Segundo o estudo, a expectativa é de que 1,676 milhão de trabalhadores qualificados e com experiência profissional estejam disponíveis no mercado este ano. Em contrapartida, devem ser gerados 1,592 milhão de novos empregos formais em todo o País para trabalhadores com esse perfil.
Haverá, portanto, excesso de oferta de mão-de-obra habilitada, em relação aos correspondentes postos de trabalho criados. Tal excesso se concentrará nos setores da construção civil, da agropecuária e do extrativismo vegetal e animal, dos serviços de alojamento e alimentação, entre outros. Esses setores, apesar do recente aquecimento, não conseguirão criar vagas adequadas, em número suficiente, para absorver trabalhadores com qualificação e experiência, disponíveis no mercado.
Ao mesmo tempo, faltarão profissionais com os requisitos necessários ao preenchimento de novos empregos projetados para 2007, principalmente na indústria química e petroquímica, na de produtos de transporte e mecânicos e na extrativista mineral. É importante ressaltar que a maioria desses empregos não requer diploma de curso superior, mas formação técnica e, em média, 9 anos de estudo.
Em termos contábeis, haverá um excedente da ordem de 84 mil trabalhadores, que não terão oportunidade de ser aproveitados nas respectivas áreas de formação. Embora esse número represente uma pequena parcela do contingente de quase 1,7 milhão de profissionais qualificados e com experiência, disputando vagas no mercado, serve de alerta para o desencontro que se verifica entre oferta e demanda de mão-de-obra.
De acordo com Marcio Pochmann, Presidente do IPEA e coordenador do estudo, trata-se de um "bom problema", resultante do crescimento econômico. Caso esse desencontro não seja equacionado corretamente, entretanto, poderá converter-se em um entrave ao desenvolvimento do País. Ainda de acordo com ele, "o desafio é combinar cada vez mais oferta e demanda", mediante o aproveitamento de "trabalhadores que poderiam ser rapidamente treinados".
As informações desse estudo não são detalhadas por Estado, mas por região. E a tendência notada na Região Sudeste, a exemplo do que se verifica em âmbito nacional, é de excesso de oferta de mão-de-obra na construção civil, na agropecuária e no extrativismo vegetal e animal, bem como nos serviços de alojamento e alimentação. Já a falta de profissionais qualificados é mais acentuada regionalmente no setor de serviços de educação, saúde, assistência social, lazer e serviços pessoais e domésticos. Além desse, destacam-se os setores de produtos de transporte e de química e petroquímica, nos quais se constata carência semelhante à observada no restante do País.
Contudo, essas tendências talvez não possam ser transpostas diretamente para o Estado de Minas Gerais, onde o Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana, prevê a abertura de um grande mercado para mão-de-obra qualificada nas atividades sucroalcooleiras, por exemplo.
Segundo ele, as novas demandas, que incluem mecanização e conhecimentos tecnológicos, devem estimular o aperfeiçoamento dos trabalhadores. "Está prevista a criação de muitas oportunidades em futuro próximo para os habilitados na nova situação", enfatiza, referindo-se a inovações que surgiram na cultura de cana, nas técnicas de irrigação, no uso da vinhaça para a fertilização.
Convém ressaltar que inovações semelhantes, somadas à longa tradição agropecuária do Estado, podem beneficiar também o desenvolvimento de outras culturas.
Nesse sentido, Minas vem investindo R$450 milhões por ano em ciência e tecnologia para financiar projetos de pesquisa, laboratórios e formação de recursos humanos. Tal investimento não é voltado apenas para o setor agropecuário, mas para diversos outros setores da economia. Afinal, o Estado abriga o segundo maior parque industrial do Brasil, além de se destacar na produção mineral.
Assim, expandindo o enorme potencial já existente, apostando na inovação tecnológica e na formação de mão-de-obra, Minas Gerais busca promover o crescimento econômico e evitar desequilíbrios como esse do mercado de trabalho, revelado pelo estudo do IPEA.
Muito obrigado.