Eleicao Municipal de Belo Horizonte em 2008

Eleicao Municipal de Belo Horizonte em 2008
Enviado em 27/11/2008.

O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, muito obrigado pelas palavras.
Sr. Presidente, companheiro Manato, do Espírito Santo, Sras. e Srs. Deputados, servidores da Casa, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna fazer uma análise das eleições municipais na esfera nacional, especificamente em Belo Horizonte, onde, como V.Exa. disse, fui Vereador e exerci mandato brilhante.
A Câmara Municipal é a Casa onde todo político deve iniciar, é onde se tem a oportunidade de aprender sobre o Legislativo, conhecer o trâmite das proposições e a relação entre Executivo e Legislativo. Logo após o mandato de Vereador fui eleito Deputado Estadual. Na Assembléia Legislativa, pude fazer grandes amigos. Hoje tenho a oportunidade de exercer este mandato de Deputado Federal.
Companheiro Manato, colegas, tive a honra de ser candidato a Prefeito de Belo Horizonte pelo PMDB. Neste momento, gostaria de agradecer a alguns companheiro da fileira do PMDB e de outros partidos a honra de comigo terem lutado. Tive votação brilhante, consegui ir para o segundo turno e quase ganhei as eleições.
Quero agradecer publicamente ao Presidente do PMDB mineiro, Deputado Fernando Diniz, e aos companheiros de Belo Horizonte o apoio, que assegurou nossa vitória na Convenção Municipal do PMDB. Abro aspas aqui, companheiro Manato, senhoras e senhores, para dizer que o PMDB foi o único partido que concorreu em Belo Horizonte tendo realizado uma convenção legítima e democrática.
Quero agradecer a disputa travada ao valoroso e competente Deputado Estadual Sávio Souza Cruz, de quem tive a honra de ser colega na Assembléia Legislativa, figura que dignifica nosso partido. Certamente será uma liderança no cenário nacional, em futuro próximo.
Agradeço ainda a todos que disputaram uma vaga na Câmara Municipal por nossa sigla o fato de nos terem dado a segunda maior bancada no Legislativo belo-horizontino, com 4 Vereadores.
Quero agradecer também aos companheiros do PHS que participaram da nossa coligação Belo Horizonte Para Você a proposta do nome e da liderança do Deputado Estadual Eros Biondini para compor nossa chapa majoritária como candidato a Vice-Prefeito, trazendo candidatos ao Legislativo para nossa campanha, que obteve importante aceitação popular.
Agradeço também, com alegria e emoção, a participação ao PCdoB, da Deputada Federal Jô Morais; ao PRB, do Vice-Presidente da República José Alencar Gomes da Silva; ao movimento Coerência Petista, aglutinado pelos ex-Deputados Rogério Correia e Jésus Lima; e ao PRTB, forças fundamentais em nossa caminhada no segundo turno das eleições.
Preciso registrar que de todas as regiões de Minas e do Brasil recebi estímulo, apoio e solidariedade do PMDB, além de correntes populares que acreditaram na nossa mensagem.
A vitória eleitoral, companheiros, Presidente Manato, escapou por muito pouco. Fui honrado com 530.560 votos, que, somados aos votos brancos, nulos e às abstenções, totalizaram os mais de 1 milhão de eleitores de Belo Horizonte que rejeitaram a tese da aliança que obteve 767.332 votos.

 

Colegas, fico feliz de, com 33 anos de idade, ter encabeçado essa guerra em Belo Horizonte, onde travamos, companheiro Manato, batalha contra o poder econômico e político, em que 14 partidos estavam aglutinados em torno de um nome apenas: Marcio Lacerda.
No momento em que foi citado o nome dele para ser candidato a Prefeito, eu, particularmente, e lideranças como Patrus Ananias, Luiz Dulci e Fernando Diniz nunca tínhamos ouvido falar de Marcio Lacerda na política mineira. Mas aceitamos isso, porque faz parte da democracia. No País, qualquer cidadão pode ser candidato; na democracia, qualquer cidadão pode ser candidato. Valeu a pena o combate em Belo Horizonte. Começamos, assim, uma eleição em que tivemos uma candidatura humilde, simples.
No dia de ontem foram apresentadas as contas das candidaturas em nível nacional. Fiquei estarrecido, companheiros, quando o candidato Marcio Lacerda publicou suas contas: 17 milhões e 700 mil reais.
Na nossa candidatura, por outro lado, simples, humilde, gastamos 2 milhões e 700 mil reais. Ainda assim a levamos para o segundo turno, com quase 40% dos votos dos belo-horizontinos. Por isso venho aqui agradecer a todo o povo mineiro, a todo o povo de Belo Horizonte a oportunidade que tive nesta eleição.
Pude, companheiro Manato, senhoras e senhores, participar, ainda no primeiro turno, de 4 debates de televisão, 6 de jornais. Pude também participar de mais de 31 debates populares nas universidades de Belo Horizonte e em escolas secundárias, ocasiões em que pude escutar o clamor do povo, discutir os problemas de Belo Horizonte com a população, com os estudantes, com os movimentos sociais, com pessoas simples, humildes, com os empresários, e aprender muito.
Com isso, já em setembro concluímos nosso plano de Governo. Foram ouvidas todas as camadas sociais de Belo Horizonte. Meu Vice, Deputado Eros Biondini, teve a oportunidade de fazer mais de 60 encontros em comunidades de Belo Horizonte, ouvindo, discutindo com as pessoas.
Com isso, no mês de setembro concluímos nosso plano de governo, um plano democrático, com participação popular. Ouvimos os mais humildes, a classe dos trabalhadores, os empresários, para ter um projeto político e social que melhorasse nossa cidade.
Fomos, durante essa batalha grande, debatendo, discutindo com a população. Levamos a eleição ao segundo turno.
É interessante, companheiros, que enfrentamos um projeto político que chamou a atenção de todo o Brasil, uma aliança apresentada ainda antes das eleições. Foi tentada uma coligação do PSDB com o PT, rejeitada pelo PT nacional, pelo PSDB nacional e pelo PT municipal. Mas ali diziam que os interesses partidários e políticos tinham que ser colocados de lado, que era preciso olhar apenas para a cidade.
Nós temos, sim, que olhar para Belo Horizonte, para as nossas cidades. Mas a maneira de governar de um partido e de outro são totalmente diferentes. O PT, em Belo Horizonte, nunca fez coligação com o PSDB; o PSDB sempre fez oposição ao PT. Mas ali estava um jogo político com interesses nacionais e estaduais para as eleições de 2010.
Mesmo assim, Deputado Manato, enfrentamos a batalha. Diziam que essa aliança seria boa para a cidade, que iria compor o apoio do Governador Aécio Neves, que apoiei na Assembléia Legislativa quando Deputado Estadual e apóio neste Congresso Nacional, em todos os atos que sejam bons para Minas Gerais.
De um lado, o Governador, que tem aceitação popular de 80%; do outro lado, o Prefeito Fernando Pimentel, que tem aceitação popular de mais de 70%. Assim, diziam que comporiam duas forças e levar uma eleição.
Todos diziam, mesmo aqui no Congresso: "Leonardo, você está maluco de enfrentar essa força política, essa força eleitoral, essa força do poder econômico. Você não irá ter mais de 10% nessa eleição". Eu disse: "Vou enfrentar, porque, da mesma maneira que um desconhecido foi convocado para encabeçar essa chapa - fui Vereador em Belo Horizonte, fui Deputado Estadual, sou Deputado Federal por Belo Horizonte -, eu tenho o direito e a obrigação de apresentar o nome pelo PMDB".
E assim começamos, com menos de 10%. Muitas vezes não tínhamos ali condição nenhuma de fazer uma eleição. Convocamos os companheiros. E agradeço aos companheiros do PMDB que me apoiaram no primeiro momento. E fomos aumentando: 1%, 2%, 3%.
Dessa maneira, passo isso aqui e falo desta tribuna para todos os colegas não terem medo do poder econômico, do poder político, porque muitas vezes V.Exas. também sofreram nessa eleição municipal, porque o povo não é bobo. O povo quer saber de propostas. E eu agradeço muito à população de Belo Horizonte, que me honrou me dando condição de ir para o segundo turno e quase ganhar a eleição em Belo Horizonte.
E fomos assim, caminhando devagar, discutindo, debatendo, estando presente, olhando nos olhos das populações, dizendo o que dava para fazer. Eu dizia: "Isso dá para fazer". E disse isso no caso do metrô de Belo Horizonte, em que há mais de 20 anos não se avança um metro. Vejo em Salvador o metrô acontecendo e também em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. E a população de Belo Horizonte sofre com um transporte público precário, um transporte público caro, um transporte público que muitas vezes não atende à necessidade da população belo-horizontina. E discuti ali, mostrei os caminhos para conquistar recursos para o metrô no Governo Federal. São Paulo está conquistando recursos, Rio de Janeiro também, todas as outras Capitais estão conquistando recursos, e Belo Horizonte, nada.
Disse ali que a Parceria Público-Privada não seria viável para Belo Horizonte, pois o custo econômico, a viabilidade econômica não seria atingida. E agora o Prefeito eleito já está dizendo que será difícil fazer uma Parceria Público-Privada.
Em relação à educação, mostrei nessas eleições que Belo Horizonte foi uma das únicas capitais do Brasil que reduziu o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2005 para 2007, piorando a educação municipal de Belo Horizonte.
O centro da cidade está todo esburacado. As pessoas andam e caem em buracos - eu fui vítima também e caí em um buraco e quase machuquei a minha perna.
Então, Sr. Presidente, enfrentei, sim, o poder econômico, o poder político. E eles diziam que não tinha jeito, que esse candidato, o Prefeito eleito, ganharia as eleições já no primeiro turno.
Respeito muito o Prefeito e desejo a ele sucesso, pois eu também moro em Belo Horizonte, Minas Gerais, e amo aquela cidade.
E, na condição de Deputado Federal, lutarei em todos os momentos pela minha cidade, mesmo não ganhando as eleições, mesmo sendo vencido por esse poder político, econômico e financeiro - e ontem ficou comprovada como uma das eleições mais caras do Brasil. Declararam-se gastos de 17 milhões de reais, enquanto a minha campanha foi humilde, pobre, e gastei 2 milhões e 600 mil reais, como disse.
E a diferença de votos foi muito pequena no primeiro no segundo turnos. Enfrentei ali uma força política nunca vista neste País. No segundo turno, recebi quase 300 e-mails denegrindo a minha imagem, dizendo que eu era um charlatão, que eu era um mentiroso, que eu não tinha curso superior, que estavam em torno de mim os piores políticos da política mineira e da política nacional, denegrindo a imagem do meu partido. Mas é assim mesmo. Estou aqui de pé, companheiro Manato, senhoras e senhores, dizendo que continuaremos a nossa luta por Belo Horizonte, por Minas Gerais e pelo Brasil.
Aprendi nessa eleição que poder político e poder econômico não vencem eleição. Eles ganharam eleitoralmente, mas foram derrotados politicamente no Brasil inteiro.
Quando cheguei a esta Casa, fui abraçado e acolhido por companheiros de todos os Estados que estavam acompanhando a eleição de Belo Horizonte. Fui abraçado e ouvi palavras maravilhosas. Diziam-me: "Leonardo, você foi o grande vencedor. Você enfrentou esse poder político. Nem no Nordeste ou em outros Estados foi encabeçada uma eleição como essa, e você quase venceu". Estou agradecendo o carinho e o amor que tenho recebido dos colegas. Estarei lá nas próximas eleições também. Quem sabe na eleição de 2010 colocarei o meu nome novamente à disposição do Estado, talvez para Deputado Federal, e estou tão animado, companheiro Manato, que quem sabe até para Governador ou Senador.
Eleição se vence na rua, conversando com os companheiros, olhando no olho do eleitor, dizendo a verdade. Nessa eleição eu aprendi que as pessoas humildes sabem, sim, discernir entre o certo e o errado.
Estou aqui para agradecer ao povo belo-horizontino, aos meus mais de 530 mil eleitores e também às pessoas que não votaram em mim nessa eleição, por causa dos e-mails que me difamaram, por causa da dúvida que foi colocada, dizendo que eu era um futuro Collor, que pessoas da pior estirpe estavam ao meu lado. Tudo mentira!
Com o meu trabalho nesta Casa, terei oportunidade de mostrar ao povo belo-horizontino que não há nada na política que risque, que calunie o meu nome. Sou Parlamentar há mais de 10 anos, e não existe contra mim nenhum processo do Ministério Público, nenhuma multa, nada. Isso foi trazido nessa eleição.
Nos debates do primeiro turno, tive a oportunidade de discutir idéias com colegas como Jô Moraes, candidata que me apoiou no segundo turno, Jorge Periquito, Gustavo Valadares e também Marcio Lacerda, que venceu as eleições, mas, no primeiro turno, esteve ausente de todos os debates com os estudantes, de todos os debates com a sociedade civil organizada, de todos os debates com os sindicatos, pois achava que a eleição estava sacramentada, que o poder político e econômico iria viabilizá-lo.
No segundo turno foi interessante. O Governador e o Prefeito nos deram a honra de encontrá-los nas ruas de Belo Horizonte, pedindo voto para o candidato Marcio Lacerda, considerado por eles o melhor. Isso foi muito bom, porque há muito tempo não víamos políticos como o Governador e o Prefeito pedindo voto nas ruas da cidade.
Reafirmo que sou parceiro de Belo Horizonte. Não serei uma oposição incoerente que pretende apenas inviabilizar a administração da cidade. A nossa bancada de 4 Vereadores, segunda maior na Câmara Municipal, apoiará todos os bons projetos para a cidade.
E aqui estarei angariando recursos para o nosso metrô, para a expansão das obras do PAC, para a melhoria do saneamento básico, da educação e da saúde, que é caótica na cidade.
Completamos hoje um ciclo de 16 anos da mesma administração. Vamos completar 20. Quanto tempo demora para melhorar uma cidade, colegas? Quanto tempo demora para melhorar a saúde e a educação de uma cidade? Completaremos daqui a 4 anos um ciclo de 20 anos da mesma administração. Essas perguntas eu deixo para os nossos colegas.
Muitos Prefeitos dizem que precisam de 10 anos, 15 anos para melhorar uma cidade, mas Belo Horizonte não tem mostrado, nos seus índices, melhoria na educação, na saúde, no combate à pobreza. Estaremos aqui, colegas, lutando por Belo Horizonte, por Minas Gerais e outros Estados do nosso País, como Santa Catarina, que está passando agora, infelizmente, por enchentes como nunca. Estamos apoiando o Estado de Santa Catarina e também o nosso Brasil.
Mas, Sr. Presidente, sob o olhar otimista do PMDB, o partido que historicamente luta pela liberdade de expressão, a campanha eleitoral de Belo Horizonte foi vitoriosa. A cidade entendeu que as políticas públicas de Patrus Ananias e Célio de Castro haviam-se tornado um fardo muito pesado para o Prefeito Fernando Pimentel.
Cumprimos então a missão pedagógica de mostrar para a população de Belo Horizonte que as prioridades das políticas sociais não eram coisa do passado.
Assumimos com entusiasmo a bandeira de que era possível fazer mais e melhor pela cidade. Com poucos recursos materiais, humanos e financeiros, fizemos uma belíssima campanha. Elaboramos um programa de governo contendo críticas ao Governo Municipal e deixamos claro que precisaríamos de todos para enfrentar os graves problemas de educação, saúde, segurança e geração de trabalho e renda para a região metropolitana de Belo Horizonte.
A população entendeu que havia duas cidades. A cidade administrada pelo Prefeito Fernando Pimentel era supostamente limpa, organizada e sem problemas. Nos gabinetes, na mídia e no discurso oficial, a melhor cidade do Brasil para se viver. No cotidiano da população, o risco pessoal e individual provocado pela ausência de segurança pública, de postos médicos, e as escolas transformadas em locais de incidência de crimes que nem sempre chegam ao conhecimento da opinião pública.
O trânsito nada tinha de parecido com a propaganda. O cidadão padece cada vez mais nos engarrafamentos e descobriu que existe uma máquina pública para multar e engordar os cofres da municipalidade.
Mostramos durante a campanha que a cidade real está nas pessoas.
O nosso programa de governo era um compromisso de trabalho coletivo e solidário em prol do bem comum. Atendimento nos postos de saúde, educação de
, transporte eficiente, espaços de sociabilidade para os jovens, as mulheres e os trabalhadores. Segurança para a construção de uma cultura da paz em nossa cidade.
Tivemos a ousadia de dialogar com a população e sentimos que o sistema municipal de educação de Belo Horizonte é um problema que nos custará muito sacrifício para retomar o caminho pedagógico do respeito aos princípios fundamentais de uma educação convencional e de qualidade. No momento não podemos falar em práticas educacionais libertadoras, porque a escola pública municipal de Belo Horizonte não sabe ensinar e tem enormes dificuldades para aprender a própria realidade caótica de seu funcionamento.
A saúde também está contaminada pelo vírus da indiferença. É urgente inventar uma nova gestão para o sistema municipal de saúde de Belo Horizonte. É possível fazer mais e muito melhor. Mas é preciso integrar e motivar os trabalhadores e profissionais da saúde para que os avanços técnicos, científicos e de atenção aos pacientes sejam compartilhados por todos.
A Grande Belo Horizonte possui população que ultrapassa 5 milhões de habitantes e representa 34% dos habitantes de Minas Gerais. É a terceira maior aglomeração do Brasil em população e em importância econômica. Entretanto, é a metrópole que concentra o maior número absoluto de pessoas em situação de pobreza e miséria no Estado.
Junto com os demais candidatos, no primeiro turno, denunciamos a ousadia dos grupos políticos articulados em torno do Prefeito, com políticas antigas e ultrapassadas. Uma Prefeitura onde ser "bom de serviço" é manter um aparato clientelista sob rédea curta de um Governo que o Brasil ainda não descobriu.
A nossa mensagem chegou ao coração dos belo-horizontinos. No primeiro turno fizemos uma campanha que não incomodou os donos do poder. No segundo turno, a perspectiva de vitória das forças populares que se uniram em torno da nossa candidatura foi combatida com todas as armas disponíveis para os que consideram a vitória o único resultado possível quando estão no comando.
Mesmo assim, tivemos votação superior às forças conservadoras que se uniram sob a proteção do Governador Aécio Neves e do Prefeito Fernando Pimentel. Entre os jovens e as camadas populares a nossa mensagem foi acolhida, e só temos razões para acreditar que o futuro nos espera com grandes vitórias, desde que sejamos capazes de manter o diálogo que instauramos com o povo de Belo Horizonte.
No segundo turno, o nosso programa de governo foi enriquecido, como disse, com a contribuição de inúmeros atores políticos e sociais. Tivemos a colaboração do PCdoB com sua forte tradição de inserção nos movimentos sociais. Contamos com a colaboração de correntes petistas que estão na vanguarda das lutas democráticas, especialmente na defesa da liberdade de manifestação e de organização dos movimentos populares. Recebemos o apoio fraterno do PRB do Vice-Presidente José Alencar Gomes da Silva, um partido que recoloca em pauta os ideais republicanos e nacionalistas de importantes segmentos da nossa população.
Valeu a pena. O PMDB, com a vitória conquistada em todo o Brasil, pode e deve pensar grande. O maior partido político do Brasil ressurge em 2008 como o partido de preferência do povo brasileiro. O recado é muito claro.
Não podemos ser apenas coadjuvantes de futuros governantes. O tratamento que recebemos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, base de sustentação de uma caminhada política, deve nortear a nossa ação presente e futura.
Temos nomes, muitos nomes para oferecer ao povo brasileiro numa disputa presidencial. Michel Temer, Pedro Simon, Hélio Costa, Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião, dentre outros, são figuras históricas do nosso Partido que podem nos conduzir a muitas vitórias no cenário nacional. Temos uma nova safra de lideranças surgindo no Brasil inteiro.
As vitórias conquistadas em 2008 demonstram que não precisamos de figuras estranhas e alienígenas ao partido para nos liderar e empunhar a bandeira da democracia política e da democracia social.
Em BH a luta foi emocionante. Quando iniciamos a batalha sabíamos que e luta seria dura, desigual e de muito sacrifício. Pouca gente acreditava na possibilidade de chegarmos ao porto. Iniciamos a viagem com poucos barcos e com uma pequena tripulação.
Nosso objetivo era acordar Belo Horizonte. Era preciso inventar um sonho maior para a cidade governada por Juscelino Kubitschek de Oliveira. Hoje, depois da nossa campanha, Belo Horizonte é uma cidade disposta a cobrar do futuro Prefeito um compromisso maior com as pessoas.
Inspirado pelo nosso programa, imitando o nosso discurso, o Prefeito eleito de Belo Horizonte assumiu compromissos com a educação, com a saúde e com o desenvolvimento econômico da cidade.
Eu também sei cuidar de gente, dizia. O que o meu adversário diz que dá para fazer eu sei fazer e vou fazer.
A nossa campanha mudou o discurso e o percurso dos nossos adversários.
Durante anos o metrô nunca foi levado a sério. Hoje existe um compromisso público de colocar em funcionamento algumas linhas que jamais saíram das pranchetas e dos estudos de viabilidade. A saúde pública precisa de um programa de gestão e de capacitação que o futuro Prefeito também assumiu para conquistar votos no segundo turno.
Nosso objetivo com a campanha que empreendemos era mudar Belo Horizonte. Valeu a pena a viagem.
As pequenas caravelas do início da travessia formaram uma armada irresistível. Milhares de pequenas embarcações se reuniram sob a nossa bandeira. E, juntos, vamos reencontrar o caminho do futuro que já tivemos oportunidade de trilhar.
Com a bandeira história do PMDB, no ano em que comemoramos 20 anos da Constituição Cidadã de 1988, promovemos o reencontro das forças progressistas e democráticas com o sonho de fazer de Belo Horizonte a Capital da solidariedade latino-americana, com desenvolvimento e justiça social.
Seguiremos em frente para manter a unidade das forças progressistas que nos apoiaram. Lutaremos para que as políticas sociais e a participação popular sejam os pilares do modelo de desenvolvimento que almejamos. Seguiremos juntos com os setores humanistas, democráticos e progressistas.
Quero dizer umas palavras a mais.
No segundo turno fui alvo de uma campanha pautada pela agressividade dos meus adversários. Estou tomando uma série de providências jurídicas para fazer valer meu direito pessoal de cidadão.
A campanha dos nossos adversários extrapolou todos os limites da ética, da luta política e dos princípios republicanos. Não houve nenhum pudor dos nossos adversários em colocar em prática métodos que eles publicamente questionavam, mas que usavam com evidente desprezo pelos limites entre o público e o privado.
Precisamos agir para que o acontecimento em Belo Horizonte não se repita no futuro. Não basta agir contra as pessoas que abusam do poder. É necessário corrigirmos e aprimorarmos as instituições democráticas. O instituto da reeleição, nas condições atuais, é um convite permanente ao abuso de poder, como aconteceu em Belo Horizonte.
Saímos todos conscientes de nossas responsabilidades futuras.
O PMDB tem a obrigação de pensar um Brasil mais justo. E certamente temos o direito de sonhar com a candidatura própria em sintonia com a base de apoio do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O PMDB de Minas Gerais está em condições de eleger o futuro Governador do Estado e colocar nossos ideais e nossa capacidade de trabalho a serviço do nosso povo.
O PMDB de Belo Horizonte, ao lado da população do Barreiro, de Venda Nova, da Pampulha, de norte a sul e de leste a oeste da cidade, será um instrumento de luta de todos os que desejam construir novos horizontes para a Capital de Minas Gerais.
Nossa luta vai continuar. Nosso adversário não é nosso inimigo. Não daremos a ele o tratamento que ele nos dispensou na campanha eleitoral. O Prefeito de Belo Horizonte, mesmo quando assume apenas a função de síndico, tem enormes responsabilidades. Continuaremos na Câmara dos Deputados a luta em favor da cidade e de sua população.
Nosso compromisso transcende os horizontes de BH. Queremos uma cidade mais justa, mais humana e mais fraterna. E, fraternalmente, abraço e agradeço cada um e cada uma que caminhou conosco nesta campanha inesquecível, propositiva e vitoriosa.
Este Parlamento é um lugar onde aprendemos muito com nossos colegas. Quero dizer aos colegas que não tenham medo de enfrentar, nas suas cidades e nos Estados, o poder político e econômico que muitas das vezes tem tomado conta da política nacional, estadual e municipal também. O povo não é bobo. O povo é sábio.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Manato) - Muito obrigado, nobre Deputado Leonardo Quintão. Parabéns a V.Exa. A disputa é sempre democrática. Temos certeza de que V.Exa. muito abrilhantou aquela eleição. Deus o continue abençoando.