A Crise Econômica Internacional

A Crise Econômica Internacional
Enviado em 17/02/2009.

O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a crise econômica que se processa no cenário internacional é das mais graves da história. Longe de ser uma previsão catastrofista, a cada dia ela se apresenta com uma nova face, envolvendo mais países e confirmando as previsões mais pessimistas.
De fato, Sr. Presidente, trata-se de uma crise financeira sem precedentes desde a Grande Depressão, em 1929, originada no templo do capitalismo mundial, a partir do comportamento imprudente e leniente de reguladores e especuladores gananciosos. Suas mais graves sequelas atingirão, como de costume, a parte mais fraca, representada pela legião de trabalhadores nas filas de desemprego e pelos países periféricos, que terão que adiar seus projetos de crescimento.
Pelas projeções da Organização Mundial do Trabalho - OIT, cerca de 50 milhões de pessoas poderão perder seus empregos só neste ano de 2009. Além disso, conforme projeções do Banco Mundial, prevê-se que o volume de comércio internacional deverá encolher 2,1%, o pior desempenho desde 1982. Segundo o FMI, a economia mundial deverá crescer apenas 0,5% em 2009, o pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial.
O Brasil, como demonstram os últimos dados do IBGE, também não está imune. Ao contrário, os impactos de curto prazo surpreenderam negativamente. De fato, Sr. Presidente, números alarmantes foram divulgados recentemente e revelaram uma brusca redução de 12,4% na produção industrial, sinalizando que a crise que abala o mercado internacional chegou ao Brasil e vai exigir um enorme esforço do Governo e da sociedade para superá-la.
Neste momento, mais do que serenidade, deve haver uma ação firme por parte das autoridades brasileiras na defesa da nossa economia. A soberania das decisões econômicas deve ser preservada.
Por outro lado, a crise também tem aspectos positivos. Diante do desastre iminente, um novo parâmetro de relacionamento entre os governos e os mercados vem-se estabelecendo. As recentes intervenções dos governos e bancos centrais dos países desenvolvidos no sistema financeiro refletem a derrocada do neoliberalismo radical e da ditadura do mercado, antes idolatrada pelos líderes mundiais. Abre-se, assim, o caminho para uma novo arranjo, em que haja maior controle da especulação desenfreada, tão danosa à economia mundial.
Não obstante, a realidade dos países desenvolvidos vem mostrando que ainda persistem grandes incertezas sobre a intensidade e a duração dessa crise e sobre o seu verdadeiro impacto na economia mundial. Apesar do esforço inédito de aporte de recursos públicos no sistema financeiro internacional, a grande maioria dos analistas vem demonstrando pessimismo quanto à possibilidade de uma rápida recuperação.
Como é sabido, Sr. Presidente, a atual crise se originou da hipervalorização de ativos imobiliários norte-americanos, lastreada por créditos mal concedidos. Ela assumiu proporção inimaginável, sorvendo instituições financeiras globais de reputação aparentemente sólida.
Seu agravamento gerou forte abalo de confiança no sistema financeiro, travando o fluxo de recursos entre as instituições financeiras, e trouxe como principal consequência a falência de um grande número de bancos em diversos países, exigindo ações coordenadas e intervenções de governos e bancos centrais, na tentativa de conter o pânico.
A gravidade dessa situação modificou radicalmente o panorama financeiro mundial. O contágio dos mercados reais tornou-se inevitável a partir da contração do crédito, decorrente da desconfiança dos investidores e da necessidade de proteger as carteiras sadias do contágio da enxurrada de títulos ilíquidos e sem valor.
Concretamente, esse movimento defensivo provocou a derrocada dos preços de ativos, desequilíbrios nas taxas cambiais, queda do preço de commodities, redução dos valores das empresas nas bolsas, enfim, atingiu de forma abrupta e violenta o planejamento e as perspectivas dos negócios em todo o mundo.
Nesse sentido, Srs. Deputados, enfrentar a crise significa, antes de tudo, não ignorá-la. Ao contrário, nesse momento se requer o espírito público e a visão de estadista para decidir sobre o que é o melhor para o País, que sacrifícios devem ser feitos para evitar o pior, que ajustes devem ser realizados, que ações concretas devem ser planejadas para que os seus efeitos negativos não nos surpreendam ainda mais em futuro próximo. Acima de tudo, é tempo de optar por aqueles que são mais desprotegidos, os trabalhadores assalariados, ajustando o foco das políticas sociais e dos investimentos públicos.
Devemos reconhecer que importantes ações já vêm sendo tomadas, como a provisão de crédito ao sistema financeiro, o financiamento público às empresas e ao consumo, a redução das taxas de juros, a manutenção e reforço ao PAC, o investimento em construção de moradias, entre outras medidas que refletem a correta concepção de estimular a economia para despertar a reação dos agentes econômicos, mantendo seu ânimo de investimento e acreditando em um futuro melhor.
Reafirmamos a nossa convicção de que os momentos de crise servem para a renovação e a mudança. O Brasil reúne todas as condições para superar as dificuldades e delas emergir com ainda mais força, para assumir definitivamente o seu destino de grandeza.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.