O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o desenvolvimento econômico brasileiro é um fato inegável. O poder de compra da população vem-se elevando, de modo a proporcionar oportunidades que antes seriam muito difíceis de alcançar.
Entre essas oportunidades, desejamos refletir acerca do aumento no número de veículos em circulação, o que vem causando sérios congestionamentos nas principais capitais do País. Para 2008, a previsão é de que a frota nacional de automóveis chegue a um crescimento de 9%, ultrapassando mais de 26,6 milhões de veículos.
De acordo com estudo divulgado em maio pelo Citigroup, esse indicador era da ordem de 22,1 milhões em 2005, tendo passado para 22,9 milhões em 2006 e para 24,4 milhões em 2007.
Os principais fatores apontados para a piora no trânsito das metrópoles brasileiras são exatamente o aumento do número de carros em circulação, a mudança da população de classes média e alta para a periferia e as más condições do transporte público oferecido.
Estima-se que, em São Paulo, cada viagem urbana consome 44 minutos em média, um número pior do que o levantado para importantes metrópoles como a Cidade do México (40 minutos), Santiago (30 minutos) e Rio de Janeiro (25 minutos).
Se o foco recair sobre as viagens para o trabalho, o tempo médio é ainda maior. Nas grandes cidades do Brasil, para ir e voltar do escritório, gastam-se 2 horas e 36 minutos. Em países desenvolvidos, a média é de apenas uma hora.
Não fossem apenas os negativos efeitos do estresse e da angústia decorrentes das muitas horas despendidas, e perdidas, dentro de um automóvel, há ainda outro importante dado que infelizmente afeta o Brasil como um todo.
Os resultados da pesquisa indicam que, considerando o tempo gasto nas viagens urbanas, há uma perda da ordem de 5% na produtividade do País! Especialistas asseveram que tais perdas econômicas se traduzem em dezenas de bilhões de reais.
Nesse quesito, o Brasil só perde para o México, cujo índice alcança 5,1%. Para a Argentina, as perdas estão estimadas em 3,6%, e, para Chile e Venezuela, em 1,5% e 1,4%, respectivamente.
Sob essa ótica, restará prejudicado o potencial de crescimento econômico do Brasil e de outros países nos próximos anos, perspectiva nada animadora para quaisquer políticas de desenvolvimento. Afinal, em todo o mundo, o rombo decorrente dos congestionamentos nas grandes capitais é de cerca de 80 bilhões de dólares.
Sras. e Srs. Deputados, desejo ainda trazer tais reflexões para a atual realidade da capital mineira. Embora os estudos não contemplem Belo Horizonte, os analistas entendem que a cidade não deve apresentar dados muito dissonantes do que foi descrito.
Embora a situação ainda não seja crítica, as perspectivas não são muito boas caso não sejam realizados grandes investimentos na eficiência viária da cidade mineira.
Em horários de pico, estima-se que a velocidade média no centro de Belo Horizonte não ultrapassa os 6 quilômetros por hora. Se a velocidade ideal é de 30 quilômetros, impõe-se a conclusão de que o tráfego intenso já faz parte do cotidiano do belo-horizontino.
Os cerca de um milhão de veículos que circulam na metrópole já emperram suas vias de maior velocidade, tendo em vista que a média horária de deslocamento nos momentos de pico está um terço abaixo do ideal.
É tempo, pois, de refletir sobre essas questões, a fim de que o desenvolvimento do País não seja prejudicado por algo que, na verdade, deveria beneficiá-lo.
Muito obrigado.
Congestionamentos
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Enviado em 04/06/2008.