Ceará Steel

Ceará Steel
Enviado em 03/04/2007.

O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o que me traz hoje à tribuna é uma preocupação com investimento a ser feito no Estado do Ceará para a implantação da empresa Ceará Steel.
Antes de mais nada, devo dizer que dou total apoio a esse empreendimento, que vai gerar no Ceará 1.600 empregos diretos e quase 4 mil empregos indiretos. No entanto tenho uma grave preocupação, pois a nova empresa utilizará tecnologia de redução direta, que depende de uma grande quantidade de gás natural.
O empreendimento tem como investidores a Companhia Vale do Rio Doce, a Dong Kuk, empresa coreana, e a Danielli, italiana. Seu principal problema é que o gás terá de ser subsidiado pela PETROBRAS, o que acarretará à nossa empresa estatal de capital aberto o prejuízo de 1 bilhão de reais nos próximos 10 anos.
Sr. Presidente, na Ceará Steel serão consumidos 1 milhão e 200 mil metros cúbicos de gás, o que corresponde a cerca de 40% de todo o gás utilizado por outras empresas produtoras de aço, a exemplo da CSN, da USIMINAS, da COSIPA, da CST e da Gerdau Açominas. Como ficará o mercado interno de subsídios do gás? Se for concedido subsídio para a Ceará Steel, todas as outras empresas vão requerer à Justiça, ou à PETROBRAS, ao Governo Federal e a esta Casa, a mesma vantagem, para que possam otimizar e aumentar sua produção.
O subsídio, que está sendo negociado pelo Estado do Ceará e pela bancada cearense nesta Casa junto à PETROBRAS, também geraria um problema de competição entre as empresas, pois significará a venda do gás por 3,20 dólares, correspondentes a quase 50% menos do preço de mercado, hoje em torno de 5,8 dólares.
Sr. Presidente, além disso, a empresa coreana Dong Kuk oferecerá ao Estado do Ceará chapas de aço vindas da Coréia e de outros países com subsídio de 40%, para compensar o subsídio da PETROBRAS, e isso causará problemas para o mercado interno de chapas de aço.
Sras. e Srs. Deputados, venho declarar meu apoio ao novo empreendimento, mas também registrar minha preocupação com a contaminação do mercado interno do aço e com as ações que podem ser apresentadas à Organização Mundial do Comércio contra o aço brasileiro. Temos de encontrar uma forma de garantir a implantação da Ceará Steel sem prejudicar nosso setor metalúrgico, que gera dezenas de milhares de empregos e dezenas de milhões de reais em impostos para o País, para os Estados e para os Municípios brasileiros, e sem prejudicar a PETROBRAS com esse gasto de 1 bilhão de reais nos próximos 10 anos.
Muito obrigado, Sr. Presidente.