O SR. LEONARDO QUINTÃO (Bloco/PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a recente divulgação dos dados de ascensão das classes D e E no Brasil é, sem sombra de dúvida, o fato mais notável da economia brasileira nas duas últimas décadas. Passando a integrar a classe média, mais de 20 milhões de brasileiros aumentaram seu padrão médio de renda e consumo, com significativa melhoria no acesso a bens, serviços e informação.
O fenômeno, Sr. Presidente, é o resultado de um longo esforço das autoridades econômicas brasileiras, que alcançou o ponto máximo na gestão do Presidente Lula. Hoje, com a inflação sob controle, a economia estabilizada e a retomada do crescimento, foi possível liberar o crédito e adotar mecanismos eficazes de distribuição de renda, promovendo assim uma mudança importante no cenário socioeconômico nacional. Parece que o Brasil, finalmente, rompeu as amarras do subdesenvolvimento.
Os números são, de fato, muito animadores. De acordo com o estudo Observador 2008, do Instituto de Pesquisas Ipsos, cerca de 86,2 milhões de pessoas compõem hoje a classe média brasileira, o que equivale a 46% da população total. Em 2005, esse percentual era de 34%. De outro lado, as faixas D e E, que em 2005 representavam 51%, hoje perfazem 39% da população. Como se vê, em apenas 3 anos houve uma importante diminuição do índice de pobreza e miséria no Brasil.
Há quem questione a sustentabilidade do processo a longo prazo, talvez sob a lembrança de fases boas, porém transitórias, em um passado recente. De nosso ponto de vista, contudo, a transformação ora presenciada é mais profunda, e mais sólido o ânimo econômico geral, haja vista o surgimento contínuo de negócios, a crescente criação de empregos formais, a consolidação de uma dinâmica mais ágil, própria de uma verdadeira economia de mercado.
Como sobejamente demonstrado pela experiência internacional, a expansão da classe média e o aumento do consumo representam um momento decisivo no desenvolvimento dos países. Dito de outro modo, existe uma relação direta entre o progresso econômico e o poder de compra da população, que, por sua vez, tem a ver com a oferta de crédito, somente possível em ambiente de estabilidade econômica. Foi esse percurso, seguindo a lógica da economia de mercado, que o Brasil conseguiu estabelecer, com vitalidade impressionante.
Sabemos que o interesse do empresariado pelo crescimento da classe média reside na imensa margem de lucro que se obtém com a venda a crédito. E foi justamente o crédito que se tornou possível, depois de décadas de estagnação econômica. Basta dizer que, se em 2001 a oferta de crédito na economia brasileira era da ordem de 22% do PIB, em 2007 passou a 35%, com projeção para 40% até o final deste ano. É por isso que, em pouco tempo, famílias consideradas de baixa renda passaram a participar do mercado, com aumento considerável no padrão de consumo e, conseqüentemente, melhoria na qualidade de vida.
Outro fator positivo, Sr. Presidente, responsável pelo otimismo em relação à economia, é o aumento do número de empregos com carteira assinada, indicativo da intenção do setor patronal em manter a mão-de-obra empregada. A absorção de mão-de-obra em contratos de trabalho formais, de prazo indeterminado, é também função do crescimento econômico e da boa perspectiva em termos de produção.
Não se pode esquecer ainda, Sr. Presidente, como mais um fator favorável, o papel fundamental dos programas sociais, como o Bolsa Família, e o regime de concessão de aposentadorias rurais. Com o aumento da receita familiar, os consumidores passaram a ter acesso aos financiamento de longo prazo e puderam, finalmente, desfrutar de um padrão de consumo mais amplo, com melhoria direta em seu cotidiano e qualidade de vida.
O grande desafio agora é fazer com que todo esse contingente populacional, inclusive aquele projetado para os próximos anos, possa consolidar sua autonomia em relação aos mecanismos de dependência estatal. O extraordinário processo de transferência de renda deflagrado pelo Governo Lula deverá ter continuidade em outras bases, de natureza estrutural. Isso significa, em última instância, que, para que a expansão do consumo seja duradoura e realmente benéfica para a economia, é preciso muito investimento na educação técnica e profissional, de modo a propiciar um salto qualitativo da população.
Temos certeza, Sr. Presidente, que estamos diante de um momento extremamente promissor da economia brasileira. Acreditamos na boa condução do processo, já que a equipe econômica do Governo Lula se tem mantido coerente e decidida em relação às metas prioritárias. Agora é hora de colher os frutos e preparar a colheita futura, com excelente perspectiva de progresso, distribuição de renda, criação de empregos e crescimento da economia, para benefício das novas gerações.
Era o que tinha a dizer.
Ascensão das Classes D e E no Brasil
Ascensão das Classes D e E no Brasil
Enviado em 07/05/2008.