Na última greve dos rodoviários, a população sofreu na pele o caos no trânsito
Leonardo Quintão
O caos no trânsito em Belo Horizonte é a mais perfeita tradução de um enredo, daqueles bem tristes, de fim de carnaval, que alcançou o povo belo-horizontino. Toda essa fragilidade e ausência de planejamento e vontade política é a mais exata conclusão que estará prevista no parecer da Subcomissão de Transportes de Passageiros sobre Trilhos nas Regiões Metropolitanas da Câmara dos Deputados, da qual sou relator. A dependência do belo-horizontino e moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ao único transporte público amplamente disponível, o ônibus, é prejudicial a todos; e parece não despertar o interesse das autoridades municipais, como deveria. A falta de recursos e investimentos em transportes alternativos que completa 30 anos de existência, como o metrô e o Veículo Leve de Transporte (VLT) – este último é um modal utilizado em dezenas de cidades mundo afora, por ser muito mais barato que o metrô, e como funciona segregado também é considerado ágil ao ser comparado aos ônibus urbanos, teve como consequência um verdadeiro caos.
Na recente greve dos rodoviários (motoristas e cobradores), o belo-horizontino sentiu na pele a dependência deste meio de transporte, limitado e poluidor. Houve caos no trânsito, que já faz parte do cotidiano do morador da capital e cidades da região metropolitana, como Betim, Contagem, Santa Luzia, Sabará e Nova Lima. Nos três dias de greve dos funcionários, houve um aumento de 40% do tráfego no Centro da capital, ou seja, foram 200 mil veículos a mais circulando nesta limitada região, diariamente. Mas as consequências percorrem as casas de todos. Se foram tantos carros a mais, a dor de cabeça foi para uma parte da população ao suportar calor e tráfego congestionado.
No entanto, quem realmente depende do ônibus foi mais prejudicado. E essa dependência surtiu efeito em todas as classes sociais. Dos serviços mais simples aos no setor de saúde pública, já que os hospitais tiveram problemas em atendimento, todos foram afetados. De acordo com o site www.metroBH.gov.br, o metrô registrou recorde de atendimento no dia 23, segundo dia da greve dos rodoviários. E mesmo assim não foi suficiente para sanar o problema durante a greve.
Para não ficarmos apenas nas críticas, nossos estudos foram capazes de fornecer soluções concretas mitigadoras, até o deslanche do metrô ou mesmo do VLT: a maneira economicamente viável de inserir aproximadamente 100 mil cidadãos, investindo algo como R$ 173,8 milhões, seria a aquisição de 10 trens (40 carros), que poderão trabalhar para diminuir o lapso de espera entre eles, e, de forma planejada, atender à demanda reprimida efetivamente existente na Linha 1 nos horários de pico. É uma ideia clara, acessível, que deve ser defendida por quem se preocupa com a população menos assistida de BH. A dependência de apenas um modal de transporte é prejudicial à população de BH, que assiste perplexa a este caos.
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